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Detesto os programas dos provedores da RTP

por Nuno Saraiva, em 08.10.09
A criação dos provedores da rádio e da televisão públicas foi algo que aplaudi e que achei interessante e necessário.

Os provedores actuais – Paquete de Oliveira e Adelino Gomes – são bons provedores e têm de ser detentores duma paciência desmedida.

As queixas dos telespectadores e ouvintes consistem normalmente em barbaridades intelectuais e apelos restritivos de liberdade.

Na televisão são tentativas de manipular programas de humor, limitando conteúdos. Ainda assim, as queixas dos espectadores têm alguma razão de ser no que respeita à informação, que tende a ir atrás da das outras televisões, mais ruidosa.

Já na rádio tenho ouvido queixas inimagináveis:

Desde tentativas de censura ao programa do Sr. Comentador (Sátira política e Social), de criticar o facto de João Gobern e Pedro Rolo Duarte terem falado na nespresso, e outras coisas que na minha opinião são simplesmente ridículas.

Como referiu o narrador "Nem a passagem de Amália na Antena 1 fica imune a críticas de ouvintes."

Ultimamente, as queixas da rádio, têm incidido sobre programas de autor. Há quem se queixe que Edgar Canelas, no seu programa de autor – Alma Lusa, passa Amália demais. Seja pela voz da própria, seja as suas músicas cantadas por outros cantores.

O último programa do provedor relativo à Antena 2 foi detestável. A Antena 2 tem aberto a sua programação a estilos musicais que se desviam do puro clássico. Música filarmónica, Jazz, música contemporânea e música electrónica.

Dois intelectuais sentem-se agredidos por estes programas e pela promoção dos mesmos. Para estas pessoas, os estilos de música acima ferem as suas sensibilidades e devem ser banidos da programação.

Pessoalmente, só aprecio um dos estilos em questão, mas defendo que todos os estilos devem ter lugar na rádio pública – num dos três canais.

Não pretendendo perder muito tempo com este assunto, venho questioná-lo se acha que os responsáveis pela programação da Antena 2 sintonizam efectivamente a estação que dirigem? Passo a explicar: há meses e meses a esta parte, às horas certas, ouve-se, até à náusea total, algo que, por variadíssimas vezes, me fez já desligar o rádio e, certamente, a muitos outros ouvintes também! (1)


Sugestão: 1. mais espaço para a música propriamente dita. 2. mais contenção nas falas quer dos apresentadores, quer dos entrevistadores, quer dos entrevistados. Em resumo: seja a Antena 2 aquele lugar onde se possa ouvir efectivamente arte traduzida em música. (2)


Estou a falar do jazz, da musica étnica e do que se convencionou chamar musica contemporânea, que tem sido uma forma de vida subsidiada para alguns criadores sem publico do nosso tempo. Tenho como melhor exemplo desta solução intragável, a France Musique, que com todos os meios que tem à sua disposição, acaba por ser preterida por outras rádios mais consistentes.


Aceito que a tentação de fazer igual à France Musique deva ser grande, mas o meu receio é que quando o conseguirem, passam a ter uma espécie de auditório Bósnio. Já hoje, há horas em que não podemos abrir a Antena 2. Dado que felizmente temos acesso à Radio Classique, não há problema. (3)




  1. José Oliveira (2) Fernando Lopes Santos (3) José Sarmento


Estas pessoas são um bocado egoístas, não são?

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publicado às 22:41


4 comentários

De Lucyta a 09.10.2009

E não somos todos um pouco egoístas??

Ou tu és assim tão diferente do povo?

De Nuno Saraiva a 09.10.2009

Somos todos. Mas nem todos o são ao ponto de achar que determinado programa deve ser banido só porque não se gosta dele.

De Lucyta a 10.10.2009

Olha eu então sou muito, mas mesmo muito, egoísta.
É que bania uma grande quantidade de programas (se é que lhe podemos chamar assim) que estão no ar só para "preencher tempos"...

Mas lá está.. eu sou apenas uma egoísta e sem direito a opinião, porque se a tenho, lá está: sou egoísta!!

De Joao Ledo Fonseca a 23.10.2009

O direito ao gosto pessoal que todos os ouvintes têm não implica, necessáriamente, nem modificação de padrões de programação, nem a sua abertura a mudança, nem, em ultima análise, a sua cristalização em padrões fechados, na programação dos meios de difusão. É que de facto não há relação nenhuma entre ambos. Qualquer ouvinte pode dizer que não gosta disto ou daquilo: ele está correcto. Daí não se tira qualquer ilação para a programação de uma meio de difusão. Se não gosta que desligue, que mude, e que vá para casa ouvir CD's.

Já o mesmo não se pode dizer quando, em vez do gosto pessoal, se trata de uma apetência, de um gosto geral da audiência: é que se a audiência não gosta do que se difunde, deixa de ser audiência. E então difunde-se para ninguém, para nada, ou eventualmente para outra audiência, mas não para a própria.

Anos a cultivar um dado tipo de audiência, com o seu gosto particular cultivado paulatinamente, com as suas ideosincrazias destiladas ao longo dos anos, com uma programação específica, implica uma de duas coisas: ou se sabe o que se está a fazer, e não se abdica disso, para "abrir a novas audiências", a novos estilos, a novas estéticas... ou não se faz a minima ideia do que se está a fazer (ou se reconhece que se está a fazer errado) e então correm-se os riscos de mudar, de misturar, de alterar, de evoluir. Enfim, de programar para outra audiência.

E se numa rádio de musica "clássica" se introduz Jazz... estraga-se a rádio, estraga-se o Jazz e estraga-se a Clássica, porque quem cultivou um gosto pela musica classica endurece o ouvido a um ponto que não consegue (regra geral, não é o meu caso) ouvir Jazz; e vice versa. Para que publico fica assim a programação a destinar-se? A nenhum: entre Gregos e Troianos, saem ambos derrotados. Pode ser intencional... nas não quero sequer pensar tal coisa. Pode ser por falta de analise e discernimento, mas não me parece.

mas pode ser por outra coisa: é que se é um serviço público, então tem que o prestar. E não vou dizer que o publico de Jazz tem o seu espaço na rádio portuguesa, porque simplesmente não tem. Assim sendo parece que começa a justificar-se. Pena é que Jazz seja designado por musica etnica... eheheh... nada mais errado, se Jazz é de facto um dos motores criativos de toda a musica que se faz hoje. E que há de mais etnico que uma Valsa de Viena, ou um Ballett francês???!!!

E depois apalhaçamos as opiniões: a musica filarmonica, e o não sei quê francês, e o não sei que mais...

É que há gente que só olha para o seu proprio umbigo, o seu próprio gosto, e com isso perde o conhecimento de um mundo imenso que o rodeia, mas que não encaixa nos seus padrões. Ora bem, que desliguem a rádio, que vão para casinha, que ouçam os CD's... ou melhor... que ouçam uns strams temáticos e especializados na net... E assim têm uma rádio personalizada. Já um serviço público deve contemplar todos, todos os gostos e todas as correntes, e esquecer os umbigos. Com critério? Sem dúvida. Mas não com a miopia de quem pouco mais sabe do que de musica clássica, tantas vezes tão limitada, repetitiva e parca de recursos e qualidade quando comparada com musica dita "etnica"...

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