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Os meus amigos e colegas que se estão a empenhar ou envolver neste boicote que me perdoem mas este é ridículo.


Como é óbvio, não concordo com este boicote populista e principalmente desinformado.


Mesmo que a razão estivesse do lado de quem elaborou o texto do boicote, dificilmente este teria efeito. O país necessita de petróleo para viver. Dificilmente se pode parar o país à espera que a gasolina e o gasóleo baixem.


Isto porque os combustíveis não são só para passear ao fim-de-semana. Como iriam reagir os defensores do boicote quando chegassem aos supermercados e não houvesse nada para comprar porque os transportadores estavam à espera que o preço do gasóleo baixasse? Nem leite, nem pão. Os cafés e restaurantes também fechavam. As farmácias ficavam vazias. No limite, esse boicote levado a sério, levaria ao caos, como esteve para acontecer em França, há dois ou três anos.


(É possível que este caos interesse a alguns partidos políticos, mais um motivo para não aderir ao boicote)


Ainda assim o motivo principal é o conteúdo do boicote.



Um boicote de três dias não surtirá o efeito baixa de preço com certeza. Mesmo que o fizesse, é errado afirmar que a distribuição de combustíveis dá lucros elevados. A distribuição de combustíveis na Europa está a dar rendibilidades baixíssimas ao ponto de levar a Shell a abandoná-la ou reduzi-la em alguns países
mediterrânicos dados os constantes prejuízos / baixas rendibilidades que o negócio dá.




  • Os Revendedores / Concessionários de combustíveis estão a viver situações gravíssimas. Sendo o seu ganho uma comissão fixa por litro e estando o mercado a cair pelo terceiro ano consecutivo, menos litros, menos receitas, menos lucros, menos salários;



  • O negócio da Distribuição de Combustíveis está cada vez menos atractivo. A Galp em 2007 teve um decréscimo de 26,7 % neste negócio, isto é, em 2007 ganhou menos 95 m€ do que em 2006. A rendibilidade operacional deste negócio é 6%, se ainda aplicarmos custos financeiros e IRC, esta vai parar a 4%, rendibilidade insuficiente, mais valia vender os postos e investir o dinheiro no banco. O aumento de lucro que a Galp tem deve-se à exploração e produção, segmento onde o preço do barril tem aumentado e o custo de produção é o mesmo;



  • A BP, teve prejuízo em 2005 e em 2006. 2007 ainda não está disponível, mas as coisas aparentam estar muito complicadas para a manutenção desta companhia em Portugal;



  • A Repsol é a empresa com melhores práticas (do ponto de vista económico) na distribuição de combustíveis na Europa. Infelizmente esta semana não consegui consultar os números, devido a erro no site, porém acredito que as rendibilidades dos capitais investidos sejam, no máximo, aceitáveis. Nada de muito elevado.


O que é que um analista económico-financeiro aconselharia a Galp a fazer?

Vender o negócio da distribuição. Vender todos os postos e terrenos que tem, e investir todo o dinheiro nos novos poços que descobriu.

O que é que a BP pondera fazer?

Vender o negócio da distribuição. Vender todos os postos e terrenos que tem, e investir todo o dinheiro na exploração.

Por este andar, qualquer dia não há postos de abastecimento. Ficamos com 10 ou 15 postos no país.

Boicotes... Não brinquem com coisas sérias.

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publicado às 14:45


16 comentários

De Phil a 25.05.2008 às 15:31

Faço então uma questão muito simples..."De que forma, podem os consumidores protestar contra estes aumentos?"

De qualquer forma, o boicote é só uma forma de radicalizar o que poderá acontecer a médio prazo...a brusca redução no consumo de combustíveis...Portanto, é perfeitamente indiferente a realização do boicote...Com ou sem boicote, a procura vai baixar e as gasolineiras "vão pagar por isso"...e seremos indirectamente prejudicados por isso...enfim...isto levaria a uma longa discussão...

Uma coisa é certa...há especulação no mercado dos combustíveis...

De Nuno Saraiva a 25.05.2008 às 15:48

Basicamente, a nível nacional os consumidores não podem fazer nada a não ser consumir menos.

Haveria a hipótese duma intervenção do Estado, o que também não funciona, como se viu com o Eng.º António Guterres.

A solução para este problema seria a imposição de quotas máximas para cada país consumir de petróleo, uma espécie de protocolo de Quioto. Claro está uma acordo muito difícil dado que um dos factores que mais está a fazer aumentar a procura e o preço do petróleo é a industrialização da China.

Concordo que as outras petrolíferas vão atrás do que a Galp faz, pois dada a sua posição dominante, no mercado. E a Galp, não é empresa de solidariedade nacional.

De Phil a 25.05.2008 às 21:17

E que dizer disto:

http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=920982

De Nuno Saraiva a 25.05.2008 às 21:34

Pode ser uma solução possível. No entanto que mudanças trazia esta regulação na prática?

Esta escala de preços de combustíveis não começou somente no período pós liberalização. Mas sendo preços máximos, era óbvio que era uma situação favorável ao consumidor do que a actual.

A questão é que nos dias e modelo económico de hoje, não faz grande sentido ser o Estado a dizer quanto é que deve ganhar cada empresa. E mesmo que o Estado se decida por um valor, vamos supor, dez cêntimos por litro, a escalada vai continuar. A diferença é que em vez de serem os quadros da Galp a formarem o preço vai ser mais uma comissão da DGE, paga por nós, para chegar à mesma conclusão.

A não ser que o Estado obrigue a Galp a vender o barril a um preço abaixo do da economia mundial, mas isso era a total deturpação do mercado nacional em relação ao mundial, era desrespeitar acordos de comércio internacional.

A regulação dos preços dos combustíveis só trará uma vantagem, garantir que o cálculo do preço dos combustíveis é feito por uma entidade pública, evitando a sensação de desconfiança por parte dos consumidores.

De Helio a 26.05.2008 às 06:43

Bom, eu continuo a achar que se deve deixar de abastecer na GALP e outras grandes...

"Consumir Menos" nessas será optimo. Se venderem o espaço, que o façam, mas postos tem sempre que haver senão a produção não será escoada :-)

De Paulo Pires a 26.05.2008 às 09:03

@Phil uma redução no consumo?! ehpah, finalmente os ambientalistas fizeram-se valer (estarão eles por trás de toda esta problemática?!).

@Nuno obrigado pelo post informativo :-)

De João Lemos a 26.05.2008 às 12:27

"O Boicote de 1, 2 e 3 de Junho dá-me vontade de rir" - O Senhor que escreveu isso dá-me vontade de rir!

De Luis Rodrigues a 27.05.2008 às 14:34

Da-me vontade de rir uma pessoa que está com pena das Petroliferas :) Ou faz parte delas... o que é importante é que o boicote já está a dar frutos.... TEMOS DE DIZER BASTA DE ROUBAR QUEM TRABALHA. Se a Repsol a BP e a Galp forem embora não me importo...que falta Faz a SHELL ?nenhuma!não me parece que não exista quem não queira ganhar dinheiro!agora Roubar dinheiro esses senhores podem ir embora...
VIVA PORTUGAL.....

De COSTA CARLOS a 27.05.2008 às 18:13

Meus amigos chegou a altura de acabarmos com as divisões entre nós, e pegar de facto o touro pelos cornos!
Quem detém de facto o monopólio da fixação dos preços?
Quem estabelece de facto as novas tarifas para os combustíveis, sem o mínimo de moralidade nem pudor, preocupando-se unicamente com os milhões de euros de lucros, (há quem lhe chame outro nome !) que diariamente vão auferindo, em detrimento das economias particulares e empresariais de Portugal?
Quem são essas (empresas)? GALP e BP, obviamente. Mas atenção, há mais meninos no “CORO”. O Sr. Sócrates, à revelia do seu homónimo grego, não revela tudo o que sabe, senão como compreender o silêncio da autoridade da concorrência e preços, quando todos os Portugueses suspeitam de cartelização entre as principais empresas petrolíferas?
Vamos todos, evitar ao máximo, o abastecimento nessas gasolineiras, com efeitos imediatos, optando por empresas que tenham os carburantes mais acessíveis, nem que para isso tenhamos que esperar alguns minutos p/fazer o abastecimento.
Hoje 26/05/08, às 12,00h as acções da “GALP” já tinham caído cerca de 3%, e a
Procissão ainda só vai no “ADRO”.
Vamos mostrar a esses senhores de facto, quem é que “MAIS ORDENA”.

Manda esta mensagem aos teus amigos.


Um por todos,todos por um!

De Jacinto a 28.05.2008 às 00:02

É por estas e por outras que os analistas financeiros nunca serão homens de negócios!
O que é proposto no texto é que esta indústria já aprendeu há muito tempo que não deve ser feito. Expico porquê:
O que se passa actualmente e que inlaciona o preço da matéria prima não é a sua escassez, muito pelo contrário. O que se passa é que não há capacidade de produção instalada que consiga satisfazer a procura de produtos acabados, sobretudo os diesel, cujo consumo está cada vez a ganhar mais terreno face às gasolinas. Ora não há capacidade de produção instalada, e é neste ponto que digo a industria aprendeu, porque quando os lucros estavam desiquilibrados para o lado da distribuição as companhias não investiam na exploração e transformação. Chegou a falar-se há poucos anos atrás no encerramento da refinaria do Porto.
Portanto, fazer o que é aqui proposto seria voltar a cair no mesmo erro, desta vez invertendo a ordem dos factores.
Os movimentos que se assistem de abondono de alguns mercados por parte das grandes operadoras mundiais significa que vão investir em redes de distribuição nos novos mercados emergentes China e India, onde todos os recursos são poucos.
E algum também na exploração e transformação, que está a dar muito.

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