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As minhas impressões de 2007

por Nuno Saraiva, em 06.01.08
O ano que agora encerrou, foi um dos anos que nos trouxe mais avanços. A tecnologia e o modo como utilizamos a internet e as comunicações, é a terceira "machadada" (após a liberalização dos mercados mundiais e a moeda única europeia) no modo como as empresas têm que ser governadas. Apesar de infelizmente, na Europa não ter havido avanços na economia e no emprego, acredito que estamos (os empresários e a nova geração de talentos) a construir algo com proveitos a longo prazo.Principais acontecimentos de 2007




O Desmoronamento do Millennium BCP. -
Poucos adivinhariam, no início do ano, que o BCP iria chegar a esta data como um trapo em farrapos. Uma OPA falhada, casos de aparentes conflitos de interesses, a sucessão de Jardim Gonçalves mal planeada. O elevador para o show Joe Berardo. Instabilidade dentro do banco e entre o seu pessoal.
Tudo isto me suscitou um dúvida:


    Sendo o banco regulado pelo Banco de Portugal, estando inscrito na CMVM como representante dos seus clientes, tendo por isso que lhes prestar contas, sendo as contas auditadas pela KPMG; Como é possível as certificações terem passado "limpas", e nunca nenhuma destas três instituições detectar alguma irregularidade?


O Boom dos jornais gratuitos - No início do ano existiam o Destak e o Metro. Hoje continuamos com estes dois, o Global Notícias, o Meia-Hora, e o Sexta-Feira. Houve também um projecto falhado, Diário Desportivo e há ainda o OJE, para público seleccionado, tentando explorar um nicho. Além disso o LIDL e o Continente, têm editado um jornal e uma revista, com informação, onde colocam publicidade sua.
A manter-se esta tendência, piora a situação da distribuição tradicional (paga), que tem vindo a agravar-se ano após ano.
Este canal trás consigo um problema: Irão eles publicar uma notícia que prejudique o seu principal anunciante? Um caso a requerer legislação que impeça conflito de interesses.

A Apple - Foi sem dúvida o ano de Steve Jobs. Conseguiu criar uma seita que defende cegamente os seus produtos como quem defende uma camisola de clube. O lançamento do iphone foi um sucesso, cheio de divulgação gratuita, vê-se um macbook a cada esquina, e as acções subiram, em 2007, 134%.
Quanto a mim, tudo isto é exagerado e não reflecte o tamanho da mais-valia trazida pela Apple. Teve o impulso do desejo dos utilizadores de largar o monopólio Microsoft. Mas sair de um monopólio para outro, é como passar de um regime de extrema direita para outro de extrema esquerda - Não é grande coisa.

Angola - 2007 revelou-se um ano chave para Angola. Foi definitivamente reconhecido como um país com grandes capacidades de desenvolvimento pela opinião pública mundial. Foi um ano recorde de Investimento Directo Estrangeiro, e confio que com as pessoas certas pode ascender facilmente ao TOP TEN das potências mundiais. Num mundo em que os recursos são escassos, Angola dispõe de grande potencialidades para investimento em agricultura, pescas, turismo, diamantes e petróleo (e outros a criar/descobrir).
O grande desafio vai ser a tentação de tirar a máxima rendibilidade a curto prazo, não construindo assim uma base formativa e económica sólida.

O lançamento do album dos Radiohead - A tradicional sistema de distribuição de música vai acabar mais dia menos dia. As editoras e distribuidoras tentam a todo o custo sensibilizar governos, acenando-lhe com a perda de impostos, o desemprego dos seus funcionários e a protecção de propriedade intelectual. Quanto a mim o negócio já mudou. Se me apaixonar por uma música compro-a no itunes. De resto os projectos como o Last.FM, as páginas com música gratuita, e as redes de artistas como o myspace, já permitem disfrutar experiências musicais muito satisfatórias. O lançamento do album via download, ao preço que cada um quisesse pagar é uma enorme alavanca para esta nova geração.

A Harmonização do Sistema Contabilistico Europeu - Em 2007 arrancou o Sistema de Normalização Contabilista. A União Europeia pretende que todos os Estados membro adoptem um sistema de relato financeiro único, bem como o processo de revisão de contas, com regras mais rígidas, de forma a evitar escândalos financeiros.
Como sempre, em Portugal, foi mal feito, sendo anunciado o arranque do novo plano para 01/01/2008, o que era evidentemente prematuro. Porém, o novo Plano Oficial de Contas está aí, aguardando proposta de D.L. do Governo. Tem a novidade de trazer regras adequadas às PME, apesar de neste ponto particular não haver harmonização, não foram impostas as características das PME.
Este novo POC vem, na minha opinião, facilitar a Contabilidade Nacional (apuramento do PIB, Importações, Exportações, Saldo da Balança Comercial, etc.) mas principalmente a Contabilidade Europeia.

Empresa e Declarações on-line - Em 2007 ficou operacional um dos pontos mais importantes do projecto SIMPLEX. Hoje quem quiser abrir uma empresa, pode sentar-se depois de jantar e antes da meia-noite tem a empresa criada. Registada, Estatutos aprovados*, Marca registada*, e contabilista nomeado (pode ser algum que conheça, ou algum duma base de dados disponível). Nos dias seguintes será inscrito pelo TOC nas finanças para efeitos de IRC e IVA (também via internet). Depois é só abrir em conta em nome da empresa e depositar o Capital. Quanto a mim só falta reduzir o valor de capital mínimo (€ 5.000) para incentivar mais o empreendorismo.
Sem dúvida um passo importantíssimo no combate à burocracia que tanto atrasa o país.

* Para serem aprovados imediatamente terá que escolher uns estatutos e uma marca pré-aprovados no site empresa.on-line.pt









publicado às 23:02


2 comentários

De Artur Correia a 07.01.2008

Quanto ao SIMPLEX / Empresa na Hora, a única coisa que resta saber é quanto é que vai custar ao contribuinte (individualmente considerado) a "facilidade" de ter de escolher pactos sociais pré-aprovados (que raramente se adaptam às necessidades de cada empresa).
É preciso notar que, actualmente, o sistema de registo comercial trocou a segurança dos actos pela celeridade dos actos. É indubitavelmente mais rápido, mas infinitamente menos seguro. Não me refiro apenas ao momento da constituição das sociedades, mas também à forma como todos os outros registos são feitos.
Já agora - o capital mínimo para uma sociedade por quotas são EUR 5.000,00 e já não é necessário comprovar o depósito em instituição bancária (como disse, compromete-se a segurança)

Notável, notável, pela positiva, é, na minha opinião, a certidão permanente.

De Nuno Saraiva a 07.01.2008

Muito obrigado.
Houve um facto um lapso, e rectifiquei 25.000 para 5.000 Euros.

Em relação ao restante não sou assim tão negativo e não me parece que o sistema seja assim tão falível.

Que custos poderá haver pela escolha dum pacto social desadequado (será assim tão desadequado? )

O custo de alteração do pacto? Bom, isso compete a quem cria a empresa se o pacto realmente se adequa.

Em relação ao capital, este tem que ser depositado no banco no prazo de cinco dias. Além da declaração de responsabilidade, compete ao Técnico Oficial de Contas garantir a regularidade destas, e não é provável um TOC dar início a uma actividade, como uma irregularidade tamanha.
Além disso, o capital não tem que ser obrigatoriamente em dinheiro. Um sócio pode entregar bens (um imóvel, mercadorias, viaturas, etc.), ficando tal facto registado na acta de constituição.

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