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A senhora que não contraiu a Dívida

por Nuno Saraiva, em 11.10.12

Ouvi na rádio, um destes dias, uma senhora que se manifestava, salvo erro em Coimbra, porque estava contra a Troika e contra a austeridade.

De memória, a senhora disse algo como:

Estou a manifestar-me porque estou contra estar a pagar uma dívida que não contraí. Tenho dois filhos licenciados e tenho de zelar pelo futuro deles.

A pergunta que me ocorre é: Quem contraiu a Dívida?

 

Não foi a senhora, não fui eu. Foram os nossos representantes que a maioria escolheu. Achar que a dívida existe apenas por causa do desperdício, é ser cego e não querer ver. É óbvio que há despedício, mas a dívida não é só isso.

 

Acho lamentável a comunicação social não esclarecer exatamente o que é a dívida e o que é o défice. A dívida existe porque existe défice. Porque o nosso país gasta mais do que recebe de impostos.

 

A senhora que não contraiu a dívida não pode dizer que não contraiu a dívida. Ou se calhar pode. Porque provavelmente; A senhora que não contraiu a dívida nunca foi ao médico público nem ao hospital, recorreu e vai sempre recorrer a médicos particulares.

 

A senhora que não contraiu a dívida não precisa da polícia, acha que esta é dispensável e vai sempre defender-se com as próprias mãos. Possivelmente tem um contrato com uma empresa de segurança pronta a atuar caso solicite.

 

A senhora que contraiu a dívida matriculou os filhos numa cresce particular, numa escola particular, num colégio particular, e claro numa faculdade particular.

 

A senhora que não contraiu a dívida paga a uma empresa especializada para lhe recolher o lixo e tratar dos resíduos.

 

A senhora que não contraiu a dívida não comprou qualquer medicamento comparticipado pelo Estado.

 

Espero que a senhora que não contraiu a dívida não seja funcionária pública, porque era sinal que estava enganada.

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publicado às 20:59



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